.
ㅤㅤㅤㅤㅤEm seu significado mais cru,
ㅤㅤㅤㅤㅤos Howard eram sim sangue-ruim.
ㅤㅤㅤㅤㅤTeimosos, briguentos, arruaceiros,
ㅤㅤㅤㅤㅤciumentos e, acima de tudo,
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤguerreiros.
Examinai a vida dos homens e dos povos melhores e
mais fecundos, e perguntai se uma árvore que deve
elevar-se altivamente nos ares pode dispensar o mau
tempo e as tempestades; se a hostilidade do exterior,
as resistências exteriores, todas as espécies de ódio, de
inveja, de teimosia, de desconfiança, de dureza, de
avidez e de violência não fazem parte das circunstâncias
favoráveis sem as quais nada, nem sequer a virtude,
poderia crescer grandemente? O veneno que mata as
naturezas fracas é um fortificante para as fortes;
ㅤㅤㅤㅤ...e por isso não lhe chamam veneno.
- Friedrich Nietzsche, in A Gaia Ciência.
segunda-feira, novembro 09, 2009
quarta-feira, novembro 04, 2009
Sala branca.
Sentou-se na cadeira em frente a mesa, olhando diretamente para o homem vestido de branco que se sentava do outro lado e olhou para Dallas, sentado ao seu lado, com frustração brilhando em seus olhos em um pedido silencioso, quase desesperado, para que não a fizesse passar por aquilo. O psiquiatra lhe estendeu um envelope branco e ela o pegou, desgostosa, puxando a folha de papel que continha ali dentro enquanto lançava um olhar irritadiço para o irmão. Muitas palavras que não entendia e não fazia questão de tentar entender, buscou apenas o que lhe indicasse o resultado de toda aquela besteira. Encontrou e seus olhos estreitaram-se com o que lia. Suspirou irritada e deixou os papéis caírem no chão, levantando-se e indo em direção à saída daquela sala sem olhar pra trás. Não pode ver o irmão pegar o pedaço de papel inútil contendo o que seria o resultado de sua avaliação psiquiatrica do chão, apenas conseguiu ouví-lo dizer em um tom interrogativo. - Psicose Maníaco-Depressiva? Não pode ver, também, o psiquiatra confirmar. Parou com a mão na maçaneta e disse em um tom de voz baixo. - Transtorno Bipolar do Humor. Que ridículo! Sorriu debochadamente antes de abrir a porta e deixar o local. Não havia nada de errado com ela, com certeza, não havia nada de errado. Não. Aquilo era simplesmente ridículo. Foi embora tentando se convencer mentalmente, alheia a tudo o que acontecia ao seu redor.
Lembranças.
Deveria saber que eu não volto atrás em minhas decisões.
Ela sabia e realmente não se importava de ouvir novamente, aquilo para a morena Howard não fazia diferença, eram apenas palavras vagas contendo sentimentos que poderiam ser facilmente descartados. Um sorriso rasgou os lábios escarlates, de uma forma quase imperceptível. Os lábios gélidos foram de encontro a face do homem, deixando ali o último toque dos mesmos sobre a pele morna. Afastou-se e lhe ofereceu seu melhor sorriso. Sem arrependimento, sem sentimentos. Deu-lhe as costas e caminhou para longe, indo embora pra nunca mais retornar àquele ponto em que terminaram.
Você também deveria saber. Sem dor, sem culpa.
Não passava de um sussurro jogado ao vento.
Abriu os olhos e sentou-se na cama de casal que raramente utilizava, observando o caos que era seu quarto. Passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás e riu de si mesma por ser tão ridícula. Péssima hora para péssimas lembranças.
Ela sabia e realmente não se importava de ouvir novamente, aquilo para a morena Howard não fazia diferença, eram apenas palavras vagas contendo sentimentos que poderiam ser facilmente descartados. Um sorriso rasgou os lábios escarlates, de uma forma quase imperceptível. Os lábios gélidos foram de encontro a face do homem, deixando ali o último toque dos mesmos sobre a pele morna. Afastou-se e lhe ofereceu seu melhor sorriso. Sem arrependimento, sem sentimentos. Deu-lhe as costas e caminhou para longe, indo embora pra nunca mais retornar àquele ponto em que terminaram.
Você também deveria saber. Sem dor, sem culpa.
Não passava de um sussurro jogado ao vento.
Abriu os olhos e sentou-se na cama de casal que raramente utilizava, observando o caos que era seu quarto. Passou a mão pelos cabelos, jogando-os para trás e riu de si mesma por ser tão ridícula. Péssima hora para péssimas lembranças.
Como sempre foi.
Fazia muito tempo que não adentrava aquela casa, que nem ao menos cruzava o caminho daqueles que ali viviam, fazendo o possível para passar despercebida em qualquer situação, e lá estava ela, caminhando pelo jardim mal cuidado em direção a porta de madeira escura e pelo o que podia ouvir, eles estavam em casa, conversando em silêncio como sempre faziam quando o perímetro que possuíam para detectar invasores era acionado. Eles esperavam a visita da vampira. Ele sabia que um dia ela voltaria. Seus passos se desaceleraram ao se aproximarem da porta e pode ouvir a voz autoritária em algum cômodo da casa lhe autorizar a entrada. Abriu a porta, ouvindo o leve tremor das dobradiças velhas, seus sentidos sempre ficando ainda mais apurados quando se tratava deles. Caminhou pelo corredor, o coturno fazendo um barulho que nada lhe lembrava delicadeza ao entrar em contato com o piso sólido. Olhou-se de relance em um vidro pelo qual passava e resolveu que aquela imagem não seria a melhor para voltar a se apresentar. Seus cabelos, outrora coloridos, foram voltando ao tom pelo qual sempre fora conhecida. Mechas negras que lhe caíam em cascatas pelas costas e pelos ombros, destacando-se pela pele alva como a neve que caía nas estações de inverno daquela gélida Londres, os olhos voltaram ao verde escuro. A expressão era a mesma, fria, olhar desfocado, sem nunca demonstrar qualquer sentimento. Parou a fronte de uma porta de madeira bem cuidada, observando por um momento o candelabro acima da mesma, as chamas fracas lutando pela sobrevivência e erguendo-se cada vez mais. Bateu a porta, ouvindo um sonoro “Entre”, girando a maçaneta dourada e deixando que seus olhos vagassem pela extensão daquele cômodo. Observou a poltrona que lhe dava as costas e a mulher loira sentada mais a frente com um sorriso presunçoso que com toda a certeza a morena adoraria tirar dali com suas próprias garras. Caminhou lentamente até fitar o rosto daquele que procurava, reverenciando-se diante dele, um dos joelhos apoiados no chão, a cabeça baixa, não fazendo um ruído sequer.
- Depois de quase um ano, eu lhe disse que voltaria, não importasse qual fossem os motivos.
Ela levantou o olhar para ele, levantando-se ao ver a aceitação, o orgulho de ter vencido, nos olhos negros do homem a sua frente. Ouviu uma risada aguda, estridente, mas em um tom baixo logo atrás de si e não evitou que os antigos comentários voltassem a aflorar.
- Vejo que continuas com o mesmo riso irritante, Kate.
Virou-se, indo em direção a porta. Seu objetivo ali era se apresentar ao mestre e já estava completo. Devia respeito a ele, mas não a mulher com a qual ele convivia. Ela matara seus pais, não merecia seu respeito. Caminhando de costas para eles não pode ver o gesto que ele fizera para conter a mulher que ameaçara atacar a morena pelas costas, mas pode ouvi-la bufar irritada, seguido de um riso baixo, monossilábico, por parte do homem.
- Não mudou em nada, Howard, sua língua afiada continua digna de sua família.
Tocou a maçaneta e voltou-se a ele, dessa vez com um sorriso cínico dançando nos lábios escarlates voltados a mulher, logo tornando a observar as costas daquela poltrona ocre.
- Eu faço o que posso, Phill. Um lobo sempre será um lobo, uma vampira sempre
será uma vampira, e assim se segue toda essa parafernália.
Ela sorriu, abrindo a porta e a fechando atrás de si. Ouviu um riso rouco da parte de dentro do cômodo e teve a absoluta certeza de que sempre estivera naquele meio, por mais distante que pudesse se considerar. Uma Seguidora da Lua, lobos ou vampiros, ela não se importava.
- Depois de quase um ano, eu lhe disse que voltaria, não importasse qual fossem os motivos.
Ela levantou o olhar para ele, levantando-se ao ver a aceitação, o orgulho de ter vencido, nos olhos negros do homem a sua frente. Ouviu uma risada aguda, estridente, mas em um tom baixo logo atrás de si e não evitou que os antigos comentários voltassem a aflorar.
- Vejo que continuas com o mesmo riso irritante, Kate.
Virou-se, indo em direção a porta. Seu objetivo ali era se apresentar ao mestre e já estava completo. Devia respeito a ele, mas não a mulher com a qual ele convivia. Ela matara seus pais, não merecia seu respeito. Caminhando de costas para eles não pode ver o gesto que ele fizera para conter a mulher que ameaçara atacar a morena pelas costas, mas pode ouvi-la bufar irritada, seguido de um riso baixo, monossilábico, por parte do homem.
- Não mudou em nada, Howard, sua língua afiada continua digna de sua família.
Tocou a maçaneta e voltou-se a ele, dessa vez com um sorriso cínico dançando nos lábios escarlates voltados a mulher, logo tornando a observar as costas daquela poltrona ocre.
- Eu faço o que posso, Phill. Um lobo sempre será um lobo, uma vampira sempre
será uma vampira, e assim se segue toda essa parafernália.
Ela sorriu, abrindo a porta e a fechando atrás de si. Ouviu um riso rouco da parte de dentro do cômodo e teve a absoluta certeza de que sempre estivera naquele meio, por mais distante que pudesse se considerar. Uma Seguidora da Lua, lobos ou vampiros, ela não se importava.
Assim como nunca se importara antes.
Assinar:
Postagens (Atom)