Não sabia quanto tempo havia se passado desde que chegara ali, nem talvez tivesse a noção de quanto tempo os ponteiros que contavam as horas poderiam lhe ser, a pequenina de cabelos vermelhos que refletiam os raios do sol e de olhos azuis acinzentados corria pelo jardim do parque. Maria, a governanta, como seu pai costumava dizer embora ela não soubesse discernir o que aquela palavra implicava, a levara para ir brincar com as crianças que sempre lotavam aquele parque nas tardes de domingo, enquanto ela permanecia sentada em um dos bancos sorrindo enquanto a observava correr e rir com os coleguinhas.
As bochechas, sempre branquinhas, se encontravam avermelhadas pela correria em meio as brincadeiras, demonstrando um possível cansaço que ela logo tratava de deixar de lado assim que alguém dissesse para que ela voltasse a brincadeira, ou quando mudavam para alguma que ela considerasse divertida. A pequena pimentinha era uma das crianças mais animadas ali, uma das mais agitadas para as brincadeiras, não deixando dúvidas do motivo de seu pai lhe chamar daquela maneira: Pimentinha.
Era a mais encantadora e cativante dentre eles, era educada e mais inteligente do que a maioria das crianças de sua idade. Apesar de seus 6 anos de idade, falava corretamente, tinha hábitos e comportamento de uma criança mais velha, embora cultivasse aquele ar maroto, assim como seu jeito sapeca. Seu sorriso era perfeito. Era a imagem de uma princesinha, embora fosse tratada normalmente pelo pai, sem maiores mimos.
Agachou-se e apoiou as mãos nos joelhos enquanto respirava fundo. Já estava naquela brincadeira de pique - esconde há um bom tempo e até então não havia sido ela a ir procurar. Sorriu com o pensamento de que era muito rápida e pensou se poderia apostar corrida com algum carro na volta para casa para que pudesse provar aquilo para Maria e contar orgulhosa para o papai. Ouviu uma voz chamar por ela, reconheceria aquela voz masculina em qualquer lugar e se virou para a direção onde Maria estava sentada. Seus olhos brilharam com a imagem do pai de pé ao lado do banco e com as mãos nos bolsos, sorrindo-lhe.
Endireitou a postura e tornou a correr, dessa vez em direção ao homem loiro que acabara de avistar. Ele lhe estendeu os braços quando ela já estava perto e ela se jogou em seus braços, rindo divertida e o abraçando com força.
- Você viu como eu corri rápido, paizinho? Eu ganho de tooooodos aqui, até mesmo de você!
Ouviu-o rir e concordar, dando-lhe um beijo na bochecha rosada. Aquele som aqueceu seu coração, como sempre fora, apenas os dois, e por mais que Maria os ajudasse e a tratasse como uma filha, ela não sentia que era realmente daquela forma. Era sempre ele quem a fazia rir e se sentir bem, quem a colocava para dormir e lhe dizia palavras duras quando fazia algo errado. Ela entendia, mesmo que começasse a chorar naqueles momentos. Não podia negar que não entendia o motivo de não ter uma mãe, como todas as meninas que apareciam no parque e brincavam com ela. Via as mães a cuidarem de suas filhas enquanto ela tinha apenas Maria ali consigo. Mas ali, naquele momento, ela percebeu.
Não precisava de mais ninguém, se seu pai estivesse ali com ela, daquela mesma forma, vendo-a correr e fazendo com que se sentisse feliz. Enquanto tivesse seu pai, sua vida estaria completa.
Perfil da minha pequena ruivinha, Cecília Saint-Clair Lockhamm Bennett, seis anos, filha de Millo Lockhamm Bennett e Audrey Saint-Clair.
sábado, outubro 02, 2010
segunda-feira, agosto 02, 2010
Play by fórum.
Lady Evil, evil in my mind.
She's Queen of the Night.
She's Queen of the Night.
Ela suspirou entediada ao encontrar a sala comunal da Sonserina vazia quando acordou, já era tarde e provavelmente já havia perdido muitas aulas daquele mesmo dia. Não se importava. Aquela escola não lhe daria um futuro promissor como o que pretendia quando saísse dali, não seria ela quem lhe traria a glória perante seu Lord. Não, de maneira alguma. Só lhe traria desgostos saber que estivera ali sobre a vigilância constante de Albus Dumbledore, aquele velho ridículo que apenas ficava assistindo seus queridos alunos serem mortos sem nem ao menos agir como deveria, ou pelo menos era o que imaginava. Uma evacuação em massa daquele lugar causado pelo pânico das pessoas ao descobrirem que dois alunos foram mortos sob forte vigilância de Dumbledore, ver o pânico surgir nos olhos de cada sangue-imundo, cada traidor ridículo tentando proteger seus amiguinhos indignos de magia.
Aquilo era quase como um sonho. Imaginava qual seria o prêmio que o Lord das Trevas lhe daria por isso, por guiar as pessoas certas pelo caminho certo, por fazê-los ver o que ninguém mais conseguia. A glória eterna, um mundo puro, bruxos reinando sobre os trouxas, desprovidos de magia e de algum valor. Foi com esses pensamentos consideravelmente alegres que ela deixou o Salão Comunal da Sonserina, caminhando sem rumo pelos corredores pacatos das masmorras. Não iria esperar por ninguém, como sempre, nem ao menos sabia se ainda estavam em suas camas ou se já haviam cansado de esperarem por ela que resolveram descer para aproveitar aquele dia, ou até mesmo, pensou ela, perderem tempo com as aulas.
Não trajava a capa habitual dos alunos, detestava-a em momentos como aquele, que não tinha absolutamente nada em mente para fazer, nenhuma missão a realizar. Ficava ainda mais atraente daquela forma, seu uniforme era todo natural, como o de todos, mas alguns botões abertos a mais na blusa, assim como a gravata pendurada nos ombros, a deixavam com uma aparência felina, como se a qualquer momento ela pudesse atacar qualquer um que surgisse em sua frente, era ágil e adorava dar o bote, como uma verdadeira serpente. Passou pelas portas enormes que davam acesso aos jardins e aquela imagem colorida lhe deu aversão, caminhou indiferente a tudo ao seu redor, indo em direção ao lugar mais tranqüilo que poderia encontrar, assim como o que lhe traria pensamentos de glória, de uma cena que havia se realizado na noite passada.
Quando se deu conta, já estava parada a alguns metros do Lago Negro e não se surpreendeu ao notar que não era a única que resolvera sair pelas propriedades do castelo. Aproximou-se sorrateiramente, sem barulho algum, e encostou-se a uma das árvores, ficando sob a escuridão que ela lhe proporcionara. A sombra fresca, gélida, da árvore lhe ocultava em partes e achava a sensação ótima. Um sorriso cínico surgiu em seu rosto ao ver qual era o passatempo do Sonserino e tão logo havia notado o que ele fizera, vira-o pegando mais algumas pedras do chão e tornando a jogá-las com força no lago, que naquele momento se encontrava em grande tormenta. Não segurou o riso e se deixou gargalhar, era um riso estridente, repleto de loucura e da mesma forma como começara, ela o cessara. Havia chamado a atenção dele e com toda a certeza ele olharia para a direção em que ouvira o som. Encontrava-se há bons dez metros de distância, mas saberia que ele reconheceria aquele riso débil.
- Vejo, Bartô, que não tens nada de melhor para fazer além de jogar pedrinhas ao lago. Jogas qualquer uma ou as escolhe a dedo? Talvez até mesmo por cores e tamanhos? Oras, deixe de ser ridículo. O que se passa?
Permaneceu onde estava, mas falara alto o suficiente para que ele lhe ouvisse. Sua expressão vazia, seu olhar obscuro focara-se ao rapaz que estava em pé logo a sua frente. Ela era uma excelente oclumente, assim como legilimente, mas ele não. Martirizou-se mentalmente. Aquele havia sido um descuido que nunca mais trataria de permitir, não enquanto estivesse ali naquele lugar. Jogou os cabelos negros para trás em um gesto despreocupado, a preocupação nunca se apoderava tanto dela quanto deveria.
- Post por mim mesma interpretando Bellatrix Black (conversando com Bartô Crouch Jr.), no fórum Hogwarts Stories no dia 14/08/2009, link:
http://hogwarts-stories.forumeiros.com/lago-negro-f48/lago-negro-t23.htm#540
Post encontrado e devido à enorme consideração que sempre tive por ele, por ter adorado escrevê-lo, achei digno de vir parar no local onde guardo minhas memórias escritas.
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